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Palco do Faber - arquivo de Luis Carlos Dias

Enquanto os festivais da TV Record, realizados entre 1966 e 1969, são referências dos eventos desse gênero no Brasil, o Festival Aberto do Balneário Estância do Recreio (Faber), que teve cinco edições entre 1986 e 1991, às margens do rio Tocantins, significou o grande marco na produção musical de Imperatriz, no Maranhão, bem como de toda região Tocantina. Além de receber artistas como Gilberto Gil, Moraes Moreira, Zé Ramalho, Quinteto Violado, Sá e Guarabira, Pepeu Gomes, Geraldo Azevedo, Amelinha, Oswaldo Montenegro e Ed Motta, consagrou, em sua modalidade de festival autoral, nomes como Zeca Tocantins, Carlinhos Veloz e Erasmo Dibell.

Muito mais do que uma simples reunião de músicos e espectadores, que acampavam no balneário durante os três dias de cada evento, o Faber não apenas ecoou o espírito da música popular brasileira da época, mas também contribuiu para a construção de um legado duradouro na cena musical regional. Nesta reportagem especial, o leitor vai ficar conhecendo todos os detalhes que envolveram a produção da primeira edição do Faber, que aconteceu nos dias 17, 18 e 19 de outubro de 1986, nas vozes dos seus idealizadores e alguns artistas que participaram do evento, além da cobertura da imprensa, sobretudo do jornal O Progresso.

No primeiro capítulo, vamos entender o contexto social e político de um Brasil recém-saído de uma ditadura militar (1964-1985) e da segunda maior cidade do Maranhão, que vivenciava o progresso econômico, mas tentava superar as marcas da violência das lutas pela terra, enquanto convivia com um intenso movimento cultural em torno da Associação Artística de Imperatriz (Assarti). No segundo capítulo, conhecemos a trajetória do idealizador do Faber, Fernando Farias de Timóteo, e todos os conturbados e surpreendentes bastidores que marcaram a criação do festival, sonho que parecia impossível. No terceiro, mergulhamos na agitação cultural dos três dias da primeira edição, em 1986, e, no quarto, os artistas e realizadores comentam, com o olhar de hoje, o legado deixado por um evento tão marcante. No epílogo, o leitor pode conhecer todos os detalhes da segunda à quinta edição do Faber: quem foram os vencedores do festival autoral, as atrações nacionais e os homenageados.

Neste especial, buscamos capturar a essência do Faber, explorando seus desdobramentos e legados na identidade cultural local. A reportagem não resgata apenas  memórias preciosas, mas também serve como uma fonte de inspiração para as gerações futuras, reafirmando a importância de eventos culturais regionais na construção da rica tapeçaria da música brasileira. Não se trata somente de celebrar o passado, mas também destacar a relevância atemporal do Faber como um capítulo inestimável na história musical do Maranhão.

Em 1986, Imperatriz vivia o contraste entre o crescimento estrutural e a violência marcada pela pistolagem e o assassinato do Padre Josimo. Mas uma forte efervescência cultural e artística florescia na cidade, buscando consolidar a identidade local e a resistência social.

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O surgimento do Faber foi fruto da visão de Fernando Timóteo, que buscou transformar o cenário natural do Rio Tocantins em um polo cultural. A união de esforços entre a diretoria do balneário, empresários e políticos, permitiu que o sonho se tornasse realidade.

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Realizado entre 17 e 19 de outubro de 1986, o I Faber presenteou Imperatriz com uma estrutura inédita que uniu música autoral e grandes nomes nacionais às margens do Rio Tocantins. Foi um manifesto cultural que celebrou a “música, o amor e a alegria”.

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O I Faber foi um divisor de águas para a cultura de Imperatriz, servindo como uma vitrine de "tiros certeiros". O festival deixou um legado onde o grande vencedor, como destacou a imprensa da época, foi a própria cultura imperatrizense.

O Faber estendeu seu legado por cinco edições entre 1986 e 1991, evento que marcou época pela resistência da arte e pela atmosfera de liberdade às margens do Tocantins, deixando uma memória de nostalgia e uma identidade musical que permanece viva em Imperatriz.

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GALERIA

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EXPEDIENTE

Reportagem, montagem e diagramação

Katherine Martins

Imagens

Arquivo pessoal (Timóteo, Chiquinho França, Luis Carlos Dias e Abnaldo Ramos), Jornal O Progresso, Assarti e Arquivos de internet

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